Taxa das Blusinhas
O Remessa Conforme é um programa criado em 2023 com o objetivo de regularizar e trazer mais transparência às compras internacionais feitas por consumidores brasileiros.
A iniciativa surgiu como uma resposta ao aumento das aquisições em plataformas estrangeiras e à necessidade de uma fiscalização mais eficiente sobre essas transações.
Antes da implementação do programa, havia uma grande incerteza sobre a tributação de compras internacionais, especialmente aquelas de baixo valor.
Muitas encomendas chegavam ao Brasil sem o devido pagamento de impostos, o que gerava concorrência desleal para comerciantes nacionais e uma perda de arrecadação para o governo.
Com o Remessa Conforme, foi estabelecido um conjunto de regras que define como essas compras devem ser declaradas e taxadas, proporcionando mais previsibilidade tanto para consumidores quanto para empresas que realizam importações.
Fonte: Jornalismo TV Clultura
A isenção para compras de até US$ 50
Inicialmente, o programa permitia que compras internacionais de até US$ 50 fossem isentadas de impostos, desde que fossem devidamente declaradas pelas empresas participantes do Remessa Conforme.
Essa medida foi vista como um incentivo para que as plataformas estrangeiras adotassem uma postura mais transparente na tributação, garantindo que os valores e produtos fossem corretamente informados antes da chegada ao Brasil.
Essa política beneficiou milhares de consumidores que costumam comprar produtos importados de baixo valor, especialmente em marketplaces internacionais.
No entanto, ao longo do tempo, o governo avaliou que essa isenção estava impactando o mercado interno e, por isso, mudanças foram implementadas.
A nova tributação de 20% para remessas internacionais
Em agosto de 2024, uma nova regra entrou em vigor, alterando a tributação das compras internacionais feitas por meio do Remessa Conforme.
Com essa mudança, todas as remessas de até US$ 50 passaram a ser tributadas com uma alíquota fixa de 20%.
A decisão de tributar essas compras foi justificada como uma maneira de equilibrar o mercado, protegendo empresas nacionais que enfrentavam dificuldades para competir com preços mais baixos de produtos importados.
Além disso, a arrecadação gerada com essa taxa pode ser revertida para investimentos em áreas como infraestrutura e fiscalização aduaneira.
Para os consumidores, a principal mudança foi a necessidade de considerar o valor final dos produtos já com o acréscimo da tributação.
Isso exigiu um planejamento maior na hora de comprar em sites estrangeiros, além de um maior controle sobre os custos adicionais envolvidos.

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Impactos no Consumo e na Arrecadação
Redução no Volume de Compras Internacionais
A introdução da tributação sobre remessas internacionais trouxe mudanças significativas no comportamento dos consumidores brasileiros.
Um dos efeitos mais notáveis foi a queda no número de encomendas internacionais, que passou de 210 milhões para 190 milhões em um curto período.
Esse declínio pode ser atribuído a diferentes fatores, mas a principal razão está diretamente ligada à nova alíquota de 20% aplicada às compras de até US$ 50.
Com o aumento no custo final dos produtos importados, muitos consumidores passaram a repensar suas compras, buscando alternativas no mercado nacional ou reduzindo a frequência das aquisições.
Outro fator relevante é a adaptação dos próprios marketplaces internacionais, que precisaram ajustar suas estratégias de preços e promoções para minimizar o impacto da tributação sobre os clientes brasileiros.
Ainda assim, a redução nas compras reflete uma mudança na dinâmica do consumo, que antes era amplamente favorecida pela isenção de impostos em compras de menor valor.
O Crescimento da Arrecadação Tributária
Embora o volume de compras tenha diminuído, a arrecadação gerada pela tributação das remessas internacionais teve um crescimento expressivo.
Em pouco tempo, os valores recolhidos saltaram de R$ 2 bilhões para R$ 3 bilhões, representando um aumento significativo nos recursos obtidos pelo governo com essas transações.
Esse crescimento na arrecadação pode ser explicado pelo fato de que, mesmo com a redução no número de encomendas, muitas compras ainda são realizadas por consumidores que aceitam o custo adicional.
Dessa forma, a nova tributação conseguiu compensar a queda no volume de importações, garantindo um aumento na receita pública.
A destinação desses recursos ainda gera debates, mas a expectativa é de que sejam utilizados para investimentos em setores estratégicos, como infraestrutura, fiscalização aduaneira e incentivos ao comércio local.
No entanto, ainda há questionamentos sobre o real impacto dessa medida na economia brasileira a longo prazo.
Valorização do Dólar e Impacto nas Importações
Outro fator que influenciou o cenário das compras internacionais foi a valorização do dólar, que elevou o valor total das importações para R$ 16,6 bilhões.
O aumento na cotação da moeda americana torna os produtos estrangeiros mais caros para os brasileiros, o que também contribui para a redução na demanda por importações.
Esse cenário demonstra que a tributação não é o único elemento que afeta o consumo de produtos importados.
A oscilação do câmbio desempenha um papel crucial na decisão de compra dos consumidores, tornando as aquisições internacionais menos vantajosas em momentos de alta do dólar.

O ICMS e o Futuro das Compras Internacionais
O Impacto do Aumento do ICMS nas Importações
A tributação sobre compras internacionais pode se tornar ainda mais pesada em 2024.
A partir de abril, está previsto um aumento no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que pode elevar a carga tributária total das importações para até 50% do valor da compra.
Essa mudança representa um desafio adicional para consumidores que costumam adquirir produtos em marketplaces estrangeiros.
O ICMS é um imposto estadual, e sua aplicação varia conforme a legislação de cada estado.
Com o novo modelo de tributação, além da alíquota de 20% do Remessa Conforme, haverá a incidência do ICMS sobre o valor total da compra, incluindo o frete e o próprio imposto federal.
Isso pode resultar em um aumento expressivo nos preços finais dos produtos importados, tornando algumas compras menos vantajosas do que antes.
Essa mudança já está sendo observada com preocupação por consumidores e empresas, pois pode reduzir ainda mais a atratividade das compras internacionais.
Ao mesmo tempo, o governo justifica a medida como uma forma de equilibrar a concorrência entre o comércio nacional e os grandes varejistas estrangeiros.
Grandes Varejistas Alertam para o Aumento nos Preços
Empresas como a Shein, Shopee e AliExpress já demonstram preocupação com os efeitos desse aumento na tributação.
Essas plataformas, que conquistaram milhões de consumidores brasileiros com preços acessíveis e diversidade de produtos, podem precisar reajustar suas estratégias para minimizar o impacto da nova carga tributária.
A Shein, por exemplo, alertou que o aumento dos tributos pode afetar diretamente os preços praticados no Brasil, reduzindo a competitividade da empresa no mercado.
A Shopee e o AliExpress também sinalizaram que os consumidores podem sentir os efeitos da nova taxação em suas compras, seja com reajustes nos valores ou com mudanças na forma como os produtos são comercializados e enviados.
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Conclusão
As Principais Mudanças e Seus Impactos
Nos últimos anos, as compras internacionais passaram por mudanças significativas no Brasil, principalmente devido à implementação de novas regras tributárias.
O Programa Remessa Conforme marcou o início dessa transformação, ao estabelecer uma alíquota de 20% para compras de até US$ 50.
Essa medida, que entrou em vigor em agosto de 2024, já provocou redução no volume de importações e um aumento na arrecadação tributária, que saltou de R$ 2 bilhões para R$ 3 bilhões.
Agora, com a previsão do aumento do ICMS em abril de 2025, a carga tributária sobre compras internacionais pode atingir 50% do valor total da compra, tornando os produtos importados significativamente mais caros para o consumidor brasileiro.
Essa mudança já gera preocupação entre grandes varejistas estrangeiros, como Shein, Shopee e AliExpress, que alertam para possíveis aumentos nos preços e mudanças nas estratégias de venda para se adaptarem ao novo cenário.
1 thought on “Taxa das Blusinhas: Como o Governo Lucrou Mesmo com Menos Compras”
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